Grant Hart

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Em um domingo ameno e sem graça na cidade de São Paulo, onde todos só pensavam em The Offspring e Rock in Rio, quem diria?

O baterista da minha banda favorita de todo os anos 80 estaria aqui na minha cidade, lugar onde eu moro, tão longe de Minessota, tão longe de tudo o que eu escuto.

Grant só não apareceu de surpresa pois eu já ouvia boatos de um show aqui e de graça. Cheguei não tão cedo quanto queria, esperava nem conseguir meu ingresso, que se pegava uma hora antes do show. Mas para minha felicidade cheguei bem na hora, na hora exata que ele também estava chegando em uma van preta, eu olhei de relance por olhar, e cá estava ele também olhando quem chegava, fiquei na duvida se era ele mesmo, mas foi coisa de um segundo, acenei e ele retribuiu.

Corri para dentro para pegar a fila, haviam poucos lá, muitos com seus velhos vinis do Hüsker Dü, na hora bateu o arrependimento de não ter pego pelo menos um cd para ele autografar. Algo que passou quando comecei a trocar ideia com o pessoal do fila.

Enfim, Grant desceu da van, já seguindo por alguns esperando o autografo, que logo se ficaram mais calmos quando descobriram que haveria recepção.

Que realmente aconteceu, já na fila para entrar no show, ele apareceu novamente, muito simpático, se sentou em uma mesinha, fez piada e o pessoal fez fila. Enquanto aquele pequeno punhado de fãs entrava em formação, tudo que eu sentia era desespero:

–   Que merda, ela vai autografar mesmo, eu preciso de um cd do Hüsker Dü , agora!

Saí do local correndo, mas só via lojas fechadas, claro, era domingo, e ainda por cima, cds do Hüsker Dü ,tão difíceis de achar, já havia até descartado a chance de encontrar algo da carreira solo dele.

Desencanei, não sabia quanto tempo iria durar a recepção, aceitei minha cagada e entrei na fila, pelo menos ele assinaria meu ingresso, melhor que nada.

Ajudei a tirar uma foto de fã para os dois caras da frente, o rapaz estava tão nervoso que ele não conseguia segurar a câmera direito para o seu amigo. Tirei a foto numa, o Grant fez piada: “Esse é profissional”.

Um passo a frente e engoli meu nervosismo, estar de frente com um baterista que espirou uma caralhada de bandas, como Foo Fighters e até Green Day, que fez história, mesmo fadado ao cenário underground. Ele estava lá na minha frente.

Cheguei e falei:

–   Hello Grant, nice to know you.

Ele respondeu:

–  This guy was here since i got here. (mencionando quando nos vemos do lado de fora).

E eu falei:

– Yeah, i saw you.

Ele deu um sorriso e respondeu ao assinar o ingresso:

– And I saw you.

Ao entrar no show na galeria Olido, um surpresa: cadeira!

Eu nunca havia entrado lá, e esperava ficar de pé, por mais pop melódico que o Grant era em sua composições ele ainda tinha suas raízes punks/hardcore, um show desses se curtiria se movimentando.

Afirmação minha que seria descartada, quando ele subiu no palco apenas por si só, enquanto eu pensava:

– Ué, quando vão colocar a bateria no palco?

Sem bateria, sem baixo, sem outra guitarra, apenas ele e sua guitarra e uma caixas de som, sozinho pronto para encarar uma plateia que no fundo não conhecia nada de sua carreia solo, ou das outras bandas que esteve.

Começou com “Awake, Arise!”, canção da sua careira solo, e depois cantou uma de minha favoritas de sua banda antiga ”Nova Mob”, “Admiral of the Sea”, mal acreditava que estava ouvindo aquilo ao vivo enquanto era o único que cantava junto ao mesmo tempo que algum canalha atrás da minha cadeira simulava barulhos de ronco até ele decidir finalmente para muitos lá cantar o bom e velho Hüsker Dü com “The Girl Who Lives on Heaven Hill”, canção que levava muita distorção mas que mesmo assim saiu uma beleza sem ela.

Conforme o show desenrolava, foram mais de 20 canções,  regada em maioria clássicos a pedido da plateia cantou ”Diane”, “Don’t Want to Know If You Are Lonely, “She Floated Away’’ e até “Green Eyes”.

Um grande show e ao mesmo tempo pequeno, pois foi para poucos muito felizardos, pois após o show Grant ainda saiu pela porta da frente e ficou mais um bom tempo com os fãs que não tiveram tempo com ele antes. Músicos tomem nota, isso sim é dar atenção aos fãs e não apenas atirar palheta de cima do palco.

 Nota: 4,7/5,0

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